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O Câmpus Palhoça Bilíngue comemorou os cinco anos da entrega da sua estrutura atual à comunidade na quarta-feira (26), data em que foi celebrado também o Dia Nacional do Surdo. A festa no hall de entrada do câmpus teve bolo, exibição de vídeo, apresentação de dança, declamação de poesia em língua brasileira de sinais (Libras) e revelação do nome e do sinal da mascote do câmpus. 

A diretora-geral do câmpus, Carmem Cristina Beck, fez seu discurso em Libras. Ela falou sobre o histórico de acontecimentos que levaram ao surgimento do câmpus, desde a entrada do primeiro estudante surdo no Câmpus São José, em 1988. Naquele câmpus surgiu o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos (Nepes) que, mais tarde, deu origem ao Câmpus Palhoça Bilíngue.

“Os professores começaram a pensar o que fazer para ensinar com qualidade aos alunos que chegavam à instituição”, comentou Carmem. A partir daí, começaram a construir uma proposta de educação bilíngue, com o uso da língua portuguesa e da Libras, da qual também participaram movimentos surdos.

O Câmpus Palhoça Bilíngue passou funcionar em 2010, de maneira provisória, na Faculdade Municipal de Palhoça, no bairro Ponte do Imaruim. Somente em 26 de setembro de 2013 foi finalizada a obra da sede atual, no bairro Pedra Branca, e essa é a data que o câmpus comemorou, junto com o Dia Nacional do Surdo. É a primeira unidade da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica com aulas na modalidade bilíngue – Libras/Português – e traz para o cenário brasileiro uma política de ensino, pesquisa e extensão que busca viabilizar uma efetiva interação entre surdos e ouvintes no campo educacional e profissional.

Hoje o Câmpus Palhoça Bilíngue atende a cerca de 800 estudantes, dos quais aproximadamente 100 são surdos. Os cursos oferecidos são de qualificação profissional, técnicos (Comunicação Visual e Tradução e Interpretação de Libras/Português), de graduação (Pedagogia Bilíngue [Libras/Português] e Tecnologia em Produção Multimídia) e de especialização (Educação de Surdos: Aspectos Políticos, Culturais e Pedagógicos). A diretora-geral, Carmem Beck, lembra que alguns dos alunos surdos são de outras cidades e vieram para a Grande Florianópolis para estudar.





















Vídeo apresentado na cerimônia de quarta, com depoimentos de estudante, professora (e ex-aluna) e mãe de estudante do câmpus 


Alunos

A família de Felipe Oliveira Lopes, 21 anos, mudou-se do Piauí para Santa Catarina para que ele pudesse estudar. Surdo, ele não encontrava em sua cidade, Teresina, a estrutura necessária para seguir sua trajetória escolar - não havia intérprete de Libras na sua escola, por exemplo. Seus pais descobriram o Instituto de Audição e Terapia da Linguagem (Iatel), em Florianópolis, e se mudaram para a capital catarinense.

Depois de frequentar o Iatel, Felipe ingressou no curso técnico integrado em Comunicação Visual do Câmpus Palhoça Bilíngue. Hoje está no oitavo e último módulo. “Meu sonho é estudar engenharia ou arquitetura”, conta. Sobre sua experiência no IFSC, ele diz que está sendo “ótima”. “Conheci uma área nova e consegui aprender e me desenvolver.”

Ainda no segundo módulo de Comunicação Visual, Gabriel Cabral, de 18 anos, descobriu um mundo novo no Câmpus Palhoça Bilíngue: o dos surdos. “Foi algo que eu não esperava. São coisas que eram novas para mim, não só a língua de sinais, como a cultura dos surdos”, diz Gabriel, que é ouvinte, mas já está no nível intermediário de Libras (aprendeu no IFSC) e inclusive deu um depoimento na língua de sinais durante a cerimônia de aniversário do câmpus. Gostou tanto que pretende ser intérprete de Libras futuramente.

Desafios: nacional e local

Já no seu quinto ano de funcionamento na sede atual, o Câmpus Palhoça Bilingue tem dois grandes desafios pela frente, na visão da diretora-geral, Carmem Beck. O primeiro é consolidar-se nacionalmente como centro de referência e capacitação em educação profissional bilíngue.

Caminhos para isso são a elaboração de material didático bilíngue - o câmpus já conseguiu recurso do Ministério da Educação para produzir material na área de matemática que vai ficar disponível online - e um maior contato com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), do Rio de Janeiro, outra instituição pública federal voltada à educação de surdos. “Com isso, a gente vai implementando o objetivo do câmpus, que é incrementar a educação bilíngue no Brasil."

Ao mesmo tempo em que olha para o cenário nacional, o câmpus pensa no local: estão no horizonte parcerias com prefeituras da região de Palhoça para a oferta de turmas bilíngues em escolas. “Seria um grande desenvolvimento para nossa região”, avalia Carmem.  

Dentro do câmpus, as obras necessárias para melhorar o atendimento incluem auditório e quadra poliesportiva, segundo a diretora.

Catarina

Durante a comemoração do aniversário, foi anunciado o nome vencedor para a mascote do Câmpus Palhoça Bilíngue: ela vai se chamar Catarina. A própria personagem anunciou o nome, assim como o seu sinal em Libras, numa animação feita pelo servidor Diego Urrutia. A personagem, criada pelo próprio Diego, que é técnico de laboratório em ilustração e animação, já vem sendo utilizada em materiais institucionais do câmpus, como vídeos, site e  postagens no Facebook, entre outros. O nome vencedor recebeu 55,1% dos votos e foi sugerido pelo estudante surdo Darley Goulart Nunes, do curso superior de Tecnologia em Produção Multimídia. 

Por Felipe Silva | Jornalista do IFSC

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