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Nosso convidado para participar deste primeiro número da reVISTA multimídia bilíngue é o Chico Faganello, cineasta e diretor da Filmes que voam.

Chico é formado em Comunicação Social, com especialização em História do Cinema, Direção Cinematográfica e Doutorado em Literatura.  Entre outros trabalhos, fez o longa-metragem Oração do Amor Selvagem 

 https://www.youtube.com/watch?v=0uLV_WomXOk

e a série de Tv Fanáticas

https://www.youtube.com/watch?v=J6fFfiTZ24U

Veja outros trabalhos no canal 

https://www.youtube.com/channel/UCHAqwkuma45UgXCT1lkj0CA

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A Filmes que voam é uma empresa de criação, produção e distribuição de conteúdo audiovisual e prestação de serviços de acessibilidade. A equipe desenvolve filmes, programas de TV, documentários e filmes institucionais, com fins artísticos, pedagógicos ou comunicacionais, para adultos ou para crianças e com versões planejadas para que cada pessoa possa ter uma experiência plena.

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As versões acessíveis para surdos são caprichadas e desenvolvidas por profissionais especializados, que conhecem aspectos importantes da cultura surda e as nuances da produção bilíngue. Mas não são apenas os aspectos técnicos que nos interessam no trabalho da Filmes que voam. Eles oferecem um olhar cinematográfico para a tradução português/Libras e uma integração do vídeo com a interpretação em língua de sinais que também é pensada de forma artística.

Veja um pouquinho do trabalho desenvolvido para o filme Tropa de Elite.

Esse tipo de trabalho envolve processo criativo e experimentação. Isso interessa muito para os futuros profissionais da área de multimídia. Pedimos então, ao nosso convidado, que nos desse algumas dicas para a produção de materiais audiovisuais acessíveis para surdos. E ele nos contou que: 

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Para fazer produção audiovisual é importante ter muita dedicação e aprender sempre, percebendo a responsabilidade de realizar um trabalho que será visto por muitas pessoas. 

Assim como os jogadores de futebol, se os profissionais não praticam, não treinam, não ensaiam eles não evoluem. Trabalhar com acessibilidade em audiovisual é muito desafiador. Se aprende sutilezas como o valor dos gestos, o valor do silêncio, experiências que são capazes de transformar nossa forma de perceber o mundo. 

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Chico Faganello

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Atualmente a tecnologia está facilitando a acessibilidade na indústria audiovisual. Ocorre que este setor não vê o público cego e surdo como consumidores, como parte de um nicho que pode aumentar a receita dos filmes. Ainda há medo e desconhecimento e a solução para isso é educação e informação.  Uma pesquisa recente indica que apenas 0,01% do orçamento dos grandes filmes é gasto em tradução para outros idiomas.  Porém, mais de 50% da receita dos grandes filmes vem do público de outros idiomas. Temos percebido pequenos avanços: a Netflix já exibe alguns filmes com audiodescrição (basta escolher no menu) e a Agência Nacional do Cinema do Brasil obriga toda e qualquer produção nacional feita com recursos públicos a ter as suas versões acessíveis. Ocorre que este material ainda não é visto por falta de estrutura no parque exibidor e justamente porque a indústria não foca nos cegos e surdos como partes de um mercado. Falta popularizar isso, falta ação de marketing e vontade de todas as emissoras e salas de cinema. Claro que isso exige investimentos, mas a médio e longo prazo esse valor pode ser recuperado. 

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Chico Faganello

Para fazer filmes acessíveis é importante avaliar as diferentes possibilidades de acessibilidade e considerar isso desde a concepção do projeto. As legendas são muito úteis, mas geralmente os surdos preferem assistir os vídeos em língua de sinais. Isso precisa estar previsto no orçamento.

Nos filmes traduzidos para Libras, além de fazer uma cópia com a tradução impressa no filme, é importante ter o vídeo em Libras, editado e sincronizado, mas separado do original. Isso pode facilitar edições futuras e também é útil para o depósito legal na cinemateca brasileira, o que é exigido pela lei. 

Para o uso de legendas, Chico Faganello também faz algumas recomendações:

- utilize um modelo de legenda que leve em consideração o número de caracteres e o tempo de exposição na tela, para facilitar a compreensão do público.

- as legendas simples traduzem na tela as falas das personagens. Os intérpretes, geralmente precisam indicar quais personagens estão falando. Avalie a possibilidade de utilizar mais de um intérprete para interpretar os diferentes personagens. O público surdo tem recebido muito bem essa solução. Mas também considere que os custos são um pouco maiores.

- explore as Legendas descritivas, aquelas que também descrevem ruídos, efeitos sonoros presentes no filme, identifica as personagens e dá outras informações.

- conte sempre com profissionais surdos ou ensurdecidos na equipe quando for fazer trabalhos para pessoas surdas, e com cegos quando for fazer trabalhos para eles. 

- já existe uma orientação, baseada em estudos que usam a tecnologia “eye tracking”, que indica o reposicionamento das legendas na tela, mais perto do centro, para facilitar a percepção do público. Mas ainda existe resistência que, aos poucos, vai sendo quebrada. O importante é a consciência dos produtores, diretores e exibidores. 

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A Filmes que voam esclarece as principais dúvidas dos profissionais e do público sobre a acessibilidade no link:http://www.filmesquevoam.com.br/servicos-de-legendagem/

 

 

Veja mais trabalhos acessíveis para surdos: 

Filmes com legendas em português e na língua brasileira de sinais

Filmes para crianças com legendas em português e na língua brasileira de sinais

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